O novo parâmetro
Reinvenções
Anatomia de uma vitória
Ataques cardíacos dominam fatalidades no futebol
Vamos com calma

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Temporada paulistana

Posted on 15 May 2012

Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, esteve presente na festa de final do Campeonato Paulista. Ele aproveitou e tuitou a seguinte frase: “Parabéns a todos os clubes pela excelente temporada!”. Curioso o prefeito do município de São Paulo falar isso em uma “temporada” (na verdade, 40% de temporada) cuja final reuniu um clube de Campinas e outro de Santos.

O que seria a “excelente temporada” dos clubes paulistanos? O Corinthians cair diante da Ponte Preta (vá lá, ainda está bem na Libertadores), o São Paulo cair diante do Santos e sofrer contra a Ponte na Copa do Brasil, o Palmeiras colecionar crises ou a Portuguesa ser rebaixada no estadual? Entre os demais clubes da cidade, o Audax perdeu a promoção de forma polêmica e o Nacional ainda não iniciou sua participação na quarta divisão paulista.

No final das contas, o único clube paulistano que realmente tem o que comemorar é o Juventus, que conseguiu o retorno à Série A2. Então, parabéns à excelente temporada do Juventus!

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Parabéns, Federação Paulista

Posted on 06 May 2012

 

O jogo de ida das finais do Paulistão terminou como já se esperava: com vitória santista. Jogando em um estádio espaçoso, com maioria da torcida, era de se esperar que o Peixe vencesse o Guarani. Ainda que os 3 x 0 tenham sido exagerados pelo bom futebol bugrino durante boa parte do encontro, sobretudo no primeiro tempo.

De qualquer modo, o título está decidido. O Guarani tem muitos méritos nessa campanha, mas não fará quatro gols a mais que o Santos no domingo que vem. Os parabéns aos santistas fica para a semana que vem, com o troféu na mão. Agora, é momento de parabenizar a Federação Paulista de Futebol pela bela decisão que vimos.

Parabéns por fazer a final no Morumbi, que recebeu 40.146 torcedores (menos de 10 mil a mais que a capacidade do Brinco de Ouro). Parabéns por diminuir consideravelmente a possibilidade de o jogo de ida ter um resultado surpreendente e criar algum mistério para o jogo de volta. Parabéns por tirar a expectativa do jogo de volta, que poderá ter público e audiência de TV abaixo do potencial e prejudicar as duas equipes (sobretudo o Santos).

O Paulistão vai terminar melancólico, com um jogo para cumprir tabela com pouca gente vendo. Menos mal que o campeão será um grande time, que já está entre os maiores da história do futebol paulista. Aliás, esse foi mais um bem que essa equipe do Santos fez ao futebol: expôs ainda mais o equívoco da FPF ao mandar os dois jogos para um lugar em que nenhum dos finalistas queria.

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A LC pode esperar

Posted on 31 March 2012

“Bielsa não tem noção! Bota os jogadores para correr o tempo todo e o elenco não tem mais gás bem antes do final da temporada! Como vai ser a reta final na Liga Europa e no Campenoato Espanhol?” Bastou o Athletic Bilbao ficar três partidas sem vitórias para a corneta soar alto no San Mamés. Cornetas que silenciaram rapidamente, assim que De Marcos marcou o terceiro gol dos bascos contra o Schalke 04 em Gelsenkirchen.

O grande desempenho do time bilbaíno, sobretudo na parte final do jogo, confirmou o que os não-corneteiros já imaginavam: o Athletic largou mão do Campeonato Espanhol. O time até joga no mesmo estilo, mas com intensidade menor, com movimentação menos constante, com ritmo mais cadenciado. Uma preferência que faz sentido.

A Liga dos Campeões é um torneio milionário, e faria muito bem ao Athletic retornar a ela. A última participação foi em 1998/99. Naquela oportunidade, os leones passaram pelo Dínamo de Tblissi nos gols fora de casa na fase preliminar e, diante de Juventus, Galatasaray e Rosenborg, foram lanternas na fase de grupos (apesar de ficarem apenas dois pontos atrás do líder). É preciso apagar essa última impressão, e o retorno na próxima temporada era possível pela classificação do Campeonato Espanhol há algumas semanas.

Tudo isso é verdade, mas o Athletic tem uma prioridade maior: um título, mesmo que secundário. Os bilbaínos levantaram um troféu pela última vez em 1984, na Supercopa da Espanha. Considerando que a Supercopa é um torneio quase amistoso, os últimos títulos de verdade foram a dobradinha liga-copa na temporada 1983/84. Desde então, o clube tem um vice do Campeonato Espanhol e dois da Copa do Rei. Só. O orgulho basco é inatacável, mas um trofeuzinho a mais não faria mal.

É uma situação parecida com a de grandes clubes que estão na fila no Brasil. Eles até sabem que Libertadores, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil são os títulos mais importantes, mas jamais menosprezarão a oportunidade de conquistar um estadual. Ainda mais se esse estadual for um torneio mata-mata, com jogos apenas em alguns meios de semana.

Para o Athletic, a disputa pela terceira ou quarta vaga espanhola na Liga dos Campeões seria (ou será) desgastante. Envolvem vários clubes e é preciso manter um ritmo forte por mais nove partidas, sendo que duas delas são contra Barcelona e Real Madrid. Muito mais produtivo se guardar nesses jogos, e pensar na possibilidade de levar para casa a Liga Europa, um título internacional inédito, ou a Copa do Rei.

Nas últimas semanas, os bascos mostraram que a Liga Europa é perfeitamente possível. Venceu com facilidade assombrosa o Manchester United. Depois, bateu fora de casa o Schalke 04. Se passar pelo clube alemão, algo bem provável, enfrentará o vencedor de Sporting x Metalist, duas equipes mais fracas que as eliminadas recentemente. Aí, seria a decisão em jogo único e campo neutro contra Valencia, AZ, Atlético de Madrid ou Hannover. Se não der certo, ainda resta a Copa do Rei, em um jogo no final da temporada contra um Barcelona que pode estar de ressaca da final da Liga dos Campeões.

Nesse cenário, faz todo o sentido deixar o Campeonato Espanhol e, em última instância, a participação na Liga dos Campeões de lado. O Athletic precisa priorizar a conquista de um título. Assim, as cornetas vão parar de tocar, mesmo depois de três tropeços calculados seguidos.

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Abriu, mas nem tanto

Posted on 26 March 2012

Dois tropeços, dois empates, e a diferença que era de dez caiu para seis. Mais que os quatro pontos, esses dois resultados ruins tiraram a aura de infalível do Real Madrid. E, de repente, a disputa pelo título espanhol está reaberta, com o Barcelona voltando à disputa após ele próprio aceitar que o vice era inevitável. Mas não se empolguem tanto, porque a situação ainda é mais confortável do que parece ao Real Madrid.

A tabela do Campeonato Espanhol dá corda para uma possível virada. O Barcelona tem obrigação de vencer o confronto direto, e ele é no Camp Nou. Além disso, o Real também tem pela frente Atlético de Madrid e Osasuna fora de casa, e ainda o Valencia no Santiago Bernabéu. Os jogos mais duros do Barça, tirando o clássico com os madridistas, são contra Levante (fora), Athletic e Espanyol (casa).

A questão é que a reta final de campeonato não deve ser observada isoladamente, sem considerar o que há em torno de cada partida. Veja o calendário de Barcelona e Real Madrid até o final da temporada (em asterisco, jogo cujas datas podem avançar ou recuar um dia; sublinhado, partidas ainda incertas).

BARCELONA

28/3 – Milan (fora, LC)
31/3 – Athletic (casa, Liga)
3/4 – Milan (c, LC)
7/4 – Zaragoza (f, Liga)
10/4 – Getafe (c, Liga)
14/4 – Levante (f, Liga)
18/4 – Benfica ou Chelsea (f, LC)
21/4 – Real Madrid (c, Liga)
24/4 – Benfica ou Chelsea (c, LC)
28/4* – Rayo Vallecano (f, Liga)
5/5* – Espanyol (c, Liga)
12/5* – Betis (f, Liga)
19/5 – Real, Bayern, Olympique ou Apoel (neutro, LC)
24/5 – Athletic (n, Copa do Rei)

REAL MADRID

27/3 – Apoel (fora, LC)
1/4 – Osasuna (fora, Liga)
4/4 – Apoel (c, LC)
8/4 – Valencia (c, Liga)
11/4 – Atlético de Madrid (f, Liga)
14/4 – Sporting de Gijón (c, Liga)
17/4 – Bayern de Munique ou Olympique de Marseille (f, LC)
21/4 – Barcelona (f, Liga)
25/4 – Bayern de Munique ou Olympique de Marseille (c, LC)
28/4* – Sevilla (c, Liga)
5/5* – Granada (f, Liga)
12/5* – Mallorca (c, Liga)
19/5 – Barcelona, Milan, Benfica ou Chelsea (neutro, LC)

É inevitável perceber a influência que os dois próximos meios de semana terão no futuro próximo do campeonato. O Real Madrid enfrenta o Apoel e, por mais que José Mourinho faça discurso de “respeitar o adversário” e evoque as dificuldades que sua Internazionale teve com o Anorthosis Famagusta há três temporadas, a possibilidade de vencer com folga em Nicósia e poder poupar o time na semana que vem é viável. O Barcelona, qualquer que seja o placar no San Siro, não poderá fazer o mesmo contra o Milan.

Sem o eventual desgaste da Liga dos Campeões, o Real pode se concentrar nas partidas contra Osasuna, Valencia e Atlético. Vencendo esses três próximos jogos, a tabela merengue se abre. Mesmo o confronto direto, que tem peso enorme na disputa, pode ser facilitado. O jogo está marcado entre duas partidas pelas semifinais da Liga dos Campeões. Ainda que o Real possa enfrentar o Bayern de Munique (mais difícil que pegar Benfica ou Chelsea), ele joga com a vantagem. Pode especular com o empate ou apenas evitar desgastes desnecessários.

Os empates contra Málaga e Villarreal ajudaram a animar um pouco mais o campeonato, mas o Real Madrid ainda tem uma vantagem muito folgada para uma competição em que os dois gigantes praticamente não tropeçam. O Barcelona até cresceu o olho para o título nacional, mas deve saber que precisa mesmo é se concentrar na Liga dos Campeões. Ainda é o título mais viável.

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Agente livre?

Posted on 25 February 2012

Barcelona e Pep Guardiola parecem ter sido feitos um para o outro. O técnico é catalão, formou-se como jogador e, depois, como treinador no clube blaugrana. O Barça deu a oportunidade para ele implementar suas ideias, que não por coincidência também são as ideias do clube, para se tornar vencedor. Não há por que acabar com esse casamento. Não há, mas esse relacionamento passa por um momento de incerteza.

Começa a causar algum incômodo o fato de o contrato do técnico terminar no final desta temporada e ainda não haver acerto para sua continuidade. Até seria um fato trivial – e não inédito nessa passagem de Guardiola pelo banco barcelonista – se, no final de 2011, o presidente Sandro Rosell tivesse afirmado de que tudo estaria acertado verbalmente e seria questão de tempo para oficializar a renovação.

A demora em sair o que supostamente seria apenas uma assinatura causa estranhamento. Do lado catalão, alguma apreensão sobre o que poderia estar acontecendo em uma relação tão frutífera. Do lado madridista, alguma exaltação pela possibilidade de esse momento mágico do Barcelona estar perto do fim (e o Marca até publicou um artigo com dez fatores que estariam atrapalhando essa negociação).

De fato, Guardiola teria motivos para ter reservas com a diretoria barcelonista. O técnico foi contratado por Joan Laporta, e foi muito político ao evitar polêmicas no processo eleitoral que levou Rosell (ex-aliado, hoje inimigo declarado de Laporta) ao poder. Além disso, o treinador é cria de Johan Cruyff, amigo do ex-presidente e desafeto do atual.

Por isso, é compreensível se Pep desconfiar do comprometimento da atual direção culé com seu trabalho. Apoiar enquanto o time vence tudo é fácil, mas… e se o Barcelona perder o Campeonato Espanhol (provável) e a Liga dos Campeões (ainda incerto) para o Real Madrid? O nível de excelência técnica de seu Barcelona criou um nível de exigência igualmente alto. E ele sabe que só é possível mantê-lo por muito tempo se houver cumplicidade de todos os lados. Ainda mais considerando que a situação financeira do clube não é exatamente de bonança.

De qualquer modo, ainda não há motivo para tratar o assunto com tanta preocupação (barcelonista) ou alegria (madridista). As dúvidas que podem pipocar na cabeça de Guardiola dificilmente seriam fortes o suficientes para ele deixar Les Corts. Mas justificam um cuidado maior do técnico para assinar o novo contrato. E, como ainda estamos em fevereiro, há tempo de sobra para ele pensar no assunto.

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Taça Guanabara, 100%

Posted on 22 February 2012

Com a vitória sobre o Flamengo por 2 x 1 no Engenhão, o Vasco continua sua campanha impecável na Taça Guanabara. Foram 8 vitórias, nenhum empate, nenhuma derrota. Se vencer a final (contra Fluminense ou Botafogo), conseguirá a incrível marca de conquistar o troféu com 100% de aproveitamento.

Para se ter uma ideia, desde que a Taça Guanabara foi criada, em 1965 (como um torneio próprio, se transformou em um turno ou uma etapa dentro do Estadual do Rio em 1972), apenas uma vez um campeão venceu todos os jogos. No caso, o Botafogo de Joel Santana em 1997. De resto, sempre houve um tropeço pelo caminho, nem que fosse um empatezinho maroto.

Confira a lista dos campeões (e suas campanhas) da Taça Guanabara:

1965 – Vasco (6v, 1e, 1d)
1966 – Fluminense (3v, 3e, 0d)
1967 – Botafogo (5v, 0e, 1d)
1968 – Botafogo (4v, 3e, 0d)
1969 – Fluminense (6v, 2e, 2d)
1970 – Flamengo (8v, 4e, 3d)
1971 – Fluminense (3v, 1e, 1 d)
1972 – Flamengo (9v, 2e, 0d)
1973 - Flamengo (9v, 2e, 0d)
1974 – América (9v, 1e, 1d)
1975 – Fluminense (9v, 2e, 1d)
1976 – Vasco (11v, 3e, 1d)
1977 – Vasco (13v, 0e, 1d)
1978 – Flamengo (7v, 3e, 1d)
1979 – Flamengo (16v, 0e, 1d)
1980 – Flamengo (3v, 2e, 0d)
1981 – Flamengo (7v, 3e, 1d)
1982 – Flamengo (9v, 2e, 1d)
1983 – Fluminense (9v, 2e, 0d)
1984 – Flamengo (9v, 1e, 1d)
1985 – Fluminense (8v, 3e, 0d)
1986 – Vasco (8v, 2e, 1d)
1987 – Vasco (8v, 4e, 1d)
1988 – Flamengo (8v, 2e, 1d)
1989 – Flamengo (8v, 3e, 0d)
1990 – Vasco (9v, 2e, 0d)
1991 – Fluminense (8v, 2e, 1d)
1992 – Vasco (7v, 4e, 0d)
1993 – Fluminense (8v, 3e, 0d)
1994 – Vasco (9v, 3e, 0d)
1995 – Flamengo (10v, 4e, 1d)
1996 – Flamengo (10v, 1e, 0d)
1997 – Botafogo (11v, 0e, 0d)
1998 – Vasco (5v, 1e, 1d)
1999 – Flamengo (8v, 1e, 0d)
2000 – Vasco (10v, 1e, 0d)
2001 – Flamengo (5v, 1e, 1d)
2002 – Americano (10v, 1e, 0d)
2003 – Vasco (6v, 4e, 1d)
2004 – Flamengo (5v, 1e, 1d)
2005 – Volta Redonda (4v, 2e, 1d)
2006 – Botafogo (5v, 0e, 2d)
2007 – Flamengo (4v, 2e, 2d)
2008 – Flamengo (8v, 0e, 1d)
2009 – Botafogo (7v, 1e, 1d)
2010 – Botafogo (8v, 0e, 1d)
2011 – Flamengo (8v, 1e, 0d)

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Diego Souza na Portuguesa

Posted on 22 February 2012

A Portuguesa anunciou na terça de Carnaval a contratação do meia-atacante Diego Souza. Para quem não se lembra, é o Diego Souza “original” (original por ser mais velho e ter aparecido antes que o mais famoso, que defende o Vasco), revelado pelo Palmeiras e que ficou conhecido por discutir em campo com Estevam Soares e por ser pai de um dos filhos da Simony.

No Parque Antarctica, Diego Souza era um meia rápido, que ajudava a puxar contra-ataques e acionar a dupla de ataque Vagner Love e Edmílson. O trio foi fundamental na campanha alviverde na Série B de 2003. Isso já faz nove anos. Como ele está hoje?

Bem, após seis anos de Japão, ele está bem diferente. Deixou de ser o meia de armação rápido. Está fisicamente mais corpulento e vinha atuando como segundo atacante. Teve bons momentos no Vissel Kobe, no Kashiwa Reysol e no Tokyo Verdy (entre 2005 e 2008), mas vem caindo desde então. Em 2009 e 10, foi titular do Kyoto Sanga, mas sem brilhar. Em 2011, perdeu a condição de titular absoluto, mesmo com o time na segunda divisão.

Foi negociado com o Vegalta Sendai no meio da temporada. No novo clube, atuou em apenas cinco partidas (todas entrando no meio do jogo) e não marcou nenhum gol. Aliás, entre Kyoto e Sendai, entre J-League, J-2, Copa da Liga e Copa do Imperador, ele não marcou gols em 2011.

Não é um currículo recente de impressionar. Resta saber se a Portuguesa contratou esse jogador, ou se contratou o de 2003.

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Futebol + Física?

Posted on 21 February 2012

Na próxima quinta será lançado um livro que tem potencial para ser bem interessante. Até porque abre portas para um caminho ainda pouco explorado na cobertura (de imprensa e acadêmica) de esportes. Confiram:

FÍSICA DO FUTEBOL

Emico Okuno e Marcos Duarte
Lançamento: 1º de março, 18h, no Museu do Futebol (estádio do Pacaembu, São Paulo)
Editora: Oficina de Textos
144 páginas
R$55,00

Futebol e Física são inseparáveis.
Entender a Física do futebol provavelmente não vai fazer ninguém jogar melhor, mas com certeza vai ajudar a compreender um pouco mais esse jogo fascinante. E para quem quer compreender as leis do movimento, estudar a Física do futebol é a maneira mais descontraída de fazê-lo. Este é o objetivo desta obra: mostrar para os boleiros e curiosos da Física, a Física que há no futebol.
O livro não só ensina Física, mas também as próprias regras do futebol e tudo o que nele acontece relacionado à Mecânica. Os conceitos de Mecânica são descritos de forma a cobrir todo o conteúdo normalmente abrangido no currículo de Física do primeiro ano do ensino médio.

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O mundo não é uma bola

Arriba Depor

Posted on 03 February 2012

O Deportivo de La Coruña nunca foi um grande clube. Era uma força regional da Galícia, mas sem a relevância nacional de outros grandes regionais, como Betis, Sevilla, Zaragoza e Valencia. Isso mudou nos anos 90 e 2000, com os investimentos de Augusto César Lendoiro. Quando a fonte secou, a queda de rendimento e o eventual rebaixamento soaram como coisas naturais. Para não aceitar o apequenamento que o Depor queria retornar à elite rapidamente. E vai caminhando bem nesse objetivo.

Após 22 rodadas, o clube galego lidera a segunda divisão com folga. Tem 45 pontos, cinco a mais que o vice-líder Valladolid e seis a frente do rival Celta. O ex-time de Bebeto e Mauro Silva venceu as últimas seis partidas e está invicto há oito jogos. Foi ainda campeão de inverno e tem a melhor média de público com quase 150% a mais que o segundo colocado. Uma campanha de time maior que a segunda divisão, mesmo depois de um início inseguro e cheio de oscilações.

Só não digam que o Deportivo encanta. Uma marca da equipe de José Luis Oltra é ser econômica. A força está no meio-campo, que dá solidez à equipe mesmo sem um ataque dos mais produtivos na frente. Bergantiños e a revelação Juan Domínguez ficam na proteção da defesa, permitindo ao trio criativo dar personalidade à equipe. Bruno Gama é uma grata surpresa pela direita e Valerón, 36 anos, é o toque de experiência e até um elo simbólico entre o Superdepor da década passada com o atual. Mas é na esquerda que está o brilho.

Andrés Guardado é o grande nome da segunda divisão espanhola nesta temporada. O mexicano é o artilheiro da equipe com oito gols, líder em assistências com cinco (seriam seis se contado um cruzamento dele que resultou em gol contra de um defensor do Villarreal B) e o termômetro da equipe. Ele poderia ter números ainda mais significativos não tivesse desfalcado o Deportivo para defender o México em algumas datas-Fifa. E poderia ter ainda mais destaque na mídia espanhola se… falasse com ela. Descontente com o que considerou distorção de suas declarações sobre seu futuro em A Coruña após o rebaixamento, decidiu não falar mais com os jornalistas. Sua última entrevista na Espanha foi concedida em julho.

O desempenho do mexicano é tão bom que ofusca a falta de um atacante mais convincente. Lassad, Riki e Salomão se revezam como homem de referência na frente sem que nenhum assuma definitivamente a posição. O clube procurou um reforço para essa função no mercado de inverno, mas não é tão fácil trazer um goleador quando se tem um orçamento de segunda divisão. O Depor passou toda a janela sem mexer no seu elenco.

Por isso, a torcida já se prepara para mais sofrimento. A equipe ganha muitos jogos com placares apertados, e o ataque pouco produtivo é compensado pela defesa forte (a defesa é só a sétima do campeonato, mas isso se deve a um início de campanha muito ruim, chegando a perder por 4 a 0 para o Alcorcón. Mas, nas últimas oito partidas, sofreu apenas quatro gols). De qualquer modo, os torcedores parecem dispostos a apoiar. A média de público é de 24.964 pagantes. O vice-líder da Segundona nesse quesito é o Las Palmas, com apenas 10.430.

Não será fácil manter o ritmo das últimas partidas, mas a vantagem é boa o suficiente para suportar uma pequena – e natural – série de tropeços. Se o time mantiver a constância e suas peças-chave funcionarem, o Deportivo retornará à elite melhor do que estava nas últimas temporadas antes de cair.

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O mundo não é uma bola

Seria melhor o Babalu

Posted on 20 January 2012

Pepe é grandalhão, forte e não faz o estilo “zagueiro técnico”. Além disso, perde a cabeça com uma constância maior que o desejável, o que acaba se transformando em divididas duras demais e até em agressões. Isso ficou mais uma vez evidente na última quarta, quando o luso-brasileiro pisou na mão de Messi durante mais uma derrota do Real Madrid para o Barcelona. Mas sabem de uma coisa? A culpa não é só dele.

As características de Pepe são bem conhecidas. Os defeitos foram elencados no parágrafo acima, mas ele também tem a virtude de ser um jogador raçudo, de ter muita determinação na marcação, de ser um eficiente antídoto para times de atacantes trombadores e de poder jogar como volante. Além disso, quando está com a cabeça no lugar, até é um zagueiro interessante e com boa noção de posicionamento.

Na soma de problemas e soluções, o zagueiro não é imprestável, inviável para um futebol de bom nível. Aí, a questão é saber como usá-lo, para que suas qualidades sejam aproveitadas sem que os defeitos atrapalhem.

Obs.: deixo claro que não considero Pepe um jogador do nível de exigência que o Real Madrid impõe. Mas, já que resolveram contratá-lo (e pagando muito), é preciso saber como e quando usá-lo.

José Mourinho gostou do desempenho de Pepe como volante no empate por 1 a 1 no returno do Campeonato Espanhol passado (o primeiro jogo da série de quatro em 20 dias). Ele foi importante para anular o toque de bola do adversário e fazer que o Real até tivesse condições de vencer. Desde então, o técnico sempre deu ao jogador uma função importante nos jogos contra o Barcelona: a do cão de guarda do meio-campo que dará a proteção necessária à defesa.

É uma ideia equivocada. O zagueiro-volante até teve bom desempenho em um jogo, mas não significa que ele seja o homem adequado para fazer esse função sempre. Até porque, naquele 1 a 1, o Barcelona não tinha a maior motivação do mundo (o título espanhol já estava quase garantido, aquele jogo servia mais como prelúdio para as decisões nas semanas seguintes).

No geral, Pepe é um jogador pesado e duro demais para enfrentar o jogo do Barcelona. Pode até começar bem as partidas, mas em algum momento não suportará o ritmo do meio-campo catalão e será envolvido no toque de bola. É o momento em que se irrita e se torna mais violento. É também o momento em que os blaugranas aumentam seu domínio e acabam matando os jogos.

Para encarar a leveza do Barcelona, o Real Madrid precisa também estar com defensores leves. Não é na força que se anula o Barcelona. É na esperteza, na antecipação, na leitura rápida do jogo. Além disso, é importante que esses marcadores também saibam sair jogando, para evitar a pressão sob a saída de bola que os meias (e atacantes) barcelonistas impõem.

Em todos esses casos, Pepe não se enquadra. Como xerifão do meio-campo, ele fica sobrecarregado e acaba passando do limite. Ele tem sua parte da culpa por entradas violentas, agressões ou mesmo por falhas técnicas que acabe cometendo. Mas não dá para esperar resultado muito diferente. Se você tem uma bomba em potencial para explodir, não aperte o botão que inicie a contagem regressiva. E o responsável por fazer isso não é o zagueiro-volante.

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Variedades

Balípodo Awards 2011 (internacional)

Posted on 09 January 2012

EXCELÊNCIA

Samoa Americana Award (pior time do ano)
Tonga, que conseguiu perder de Samoa Americana nas Eliminatórias da Copa.

Once Caldas Award (time pequeno que não amarela)
Juan Aurich, que perdeu o jogo de ida em casa para o Alianza Lima, mas venceu fora e depois venceu o jogo-extra em campo neutro para levar o Peruanão.

México Award (time pequeno que amarela)
Uzbequistão, que fazia boa campanha na Copa da Ásia, até topar com a Austrália na semifinal e tomar 6 x 0.

Atlético de Madrid Award (time grande que amarela)
Internazionale, eliminada da Liga dos Campeões depois de tomar de 5 a 2 do Schalke em San Siro.

Internazionale Award (decepção da temporada)
Manchester City, que fez pose de nova potência e foi eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Grécia Award (ascensão, apogeu e queda mais rápida)
TP Mazembe, que, menos de seis meses depois de ser vice-campeão mundial, foi eliminado da Liga dos Campeões da África por escalar jogador irregular na primeira fase do torneio, contra o Simba, da Tanzânia.

Real Madrid Award (esquadrão imbatível)
Seleção argentina, que conseguiu a façanha de empatar duas vezes em casa contra a Bolívia. E as duas vezes em partidas oficiais!

Juventus Award (grande rebaixado)
River Plate, pela primeira vez na Segundona argentina após perder do Belgrano na repescagem.

GRANDES FEITOS

Milan 3 x 3 Liverpool Award (saber segurar o placar)
Colo-Colo, que vencia o Cerro Porteño em casa por 2 x 0 e perdeu a partida – e a classificação para as oitavas da Libertadores – por 3 x 2.

Timo Glock Award (entregar o ouro na hora H)
Estados Unidos, que fez 2 x 0 no México na final da Copa Ouro, mas perdeu por 4 x 2. Segunda final seguida que os norte-americanos perdem depois de abrir dois gols de vantagem.

África do Sul Award (papelão em casa)
Manchester United, ao perder por 6 x 1 o clássico contra o Manchester City.

Pierre Issa Award (fogo amigo)
Breno, acusado na Alemanha de ter colocado fogo na própria casa.

Rider Award (“Dê Férias para Seus Pés”)
Dida, que está sem clube desde maio de 2010.

PERSONALIDADES E INSTITUIÇÕES DO ANO

Ghiggia Award (calar o Maracanã)
Universidad de Chile e os 4 x 0 sobre o Flamengo. Foi no Engenhão, mas é o que dá para fazer, né?

San Lorenzo Award (“Eu não tenho passaporte”)
Cerezo Osaka, que eliminou o rival Gamba Osaka nas oitavsa de final da LC Asiática, meteu 3 x 2 no Jeonbuk no jogo de ida das quartas, no Japão, e depois tomou 6 x 1 na Coreia do Sul.

Roman Abramovich Award (“eu não sei o que fazer com tanto dinheiro”)
Atlético de Madrid, que achou que valia a pena pagar € 40 milhões para ter Radamel Falcao García.

Brasil 1 x 2 Uruguai Award (“o que diabo aconteceu?”)
José Mourinho, ao perder a invencibilidade de 150 jogos em casa por campeonato nacional em um… Real Madrid x Sporting de Gijón.

Marco Tardelli Award (comemoração mais efusiva)
Carlos Chávez, goleiro do Patriotas, que, ao converter o pênalti que rebaixou o América de Cali, ficou em choque pelo que havia feito com seu time de infância.

Donald Trump Award (“you’re fired”)
Mauricio Zamparini, presidente do Palermo que contratou cinco técnicos apenas em 2011.

Viola Award (ida à Europa mais bem-sucedida)
Diego Tardelli, que estava tão em alta no Anzhi que o clube contratou Eto’o.

Jack Warner Award (decisão gerencial mais inteligente)
Fifa, ao montar a tabela da Copa de 2014 prevendo que o Brasil só jogue no Maracanã se chegar à final

Kazu Award (“em terra de cego, quem tem um olho é rei”)
Leandro Domingues, craque do ano na J-League.

Ronaldinho Award (jogador que cresce nas decisões)
Cristiano Ronaldo, sumido nos duelos entre Real Madrid e Barcelona nas semifinais da Liga dos Campeões.

Oleg Salenko Award (fazer um monte de gols para nada)
Björn Vleminckx, artilheiro do Campeonato Holandês pelo NEC. Bem, ninguém liga muito para o NEC e seus 23 gols serviram para cavar um contrato com o poderoso… Brugge.

Paul the Octopus Award (“eu já sabia”)
Léo, que disse que no Mundial ele veria “se o Barcelona é tudo isso que dizem”.

Sebastião Lazaroni Award (galgar parâmetros)
Fernando Cavenaghi, que já não vinha bem na carreira e largou tudo para ajudar seu River Plate na Segundona.

PROMOÇÃO DO ESPORTE E DO FAIR PLAY

Joselito Award (ausência de noção)
Pelé, que disse preferir Neymar a Messi.

Gamarra Award (jogo limpo)
Al-Sadd, que eliminou o Seongnam nas semifinais da Liga dos Campeões da Ásia por um gol feito quando deveria devolver a bola após atendimento de jogador contundido.

Simeone Award (jogador mais mala)
Carlos Tevez, criando caso no Manchester City.

João Havelange Award (populismo)
Federação turca, que adiou o julgamento do caso para não rebaixar imediatamente Fenerbahçe, Besiktas e Trabzonspor por manipulação de resultados.

Zagallo Award (“vocês vão ter de me engolir”)
Mario Balotelli, cada vez jogando mais, e cada vez dando um jeito novo de mostrar como é marrento.

Byron Moreno Award (o melhor árbitro)
Gyoengyi Gaal, árbitra húngara que conseguiu não ver que a zagueiro Bruna, da Guiné Equatorial, pegou a bola com a mão na partida contra a Austrália no Mundial feminino.

Argentina 6 x 0 Peru Award (placar mais honesto)
Dinamo de Zagreb 1 x 7 Lyon, com seis gols franceses no segundo tempo, o suficiente para tirar a diferença no saldo de gols na disputa contra o Ajax.

John Terry Award (bom ambiente no elenco)
Concacaf, com Chuck Blazer passando a perna em Jack Warner para ganhar o comando da entidade.

“Pontos corridos são emocionantes” Award
Apertura uruguaio, com três times chegando à última rodada com chances de título e campeão decidido com um gol a dez minutos do final.

“Se pontos corridos fossem bons, Copa do Mundo não seria em mata-mata” Award
Japão 2 x 2 Estados Unidos (3 x 1 nos pênaltis) na final do Mundial feminino, com gol de empate marcado de calcanhar a poucos minutos do final da prorrogação.

CBF Award (regulamento mais inteligente)
Federación Colombiana de Fútbol, que fez o América de Cali disputar os playoffs do Finalización. Como perdeu, foi obrigado a jogar repescagem de rebaixamento devido ao aproveitamento nos últimos anos. E perdeu de novo.

Luis Zveiter Award (decisão judicial mais inteligente)
Polícia inglesa, ao liberar torcedor alemão que atirou banana em Neymar no Escócia 0 x 2 Brasil porque acreditou na sua versão de que “levou a fruta ao campo porque estava com fome e ela escapou da mão”.

PARABÉNS A TODOS!

Ubiratan Leal

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Variedades

Prêmio Balípodo 2011 (nacional)

Posted on 09 January 2012

EXCELÊNCIA

Prêmio Íbis (pior time do ano)
Duque de Caxias, que conseguiu fazer, na Série B, uma campanha pior que o América-RN na Série A de 2007.

Prêmio São Paulo (time de chegada)
Corinthians, duplamente. No sentido literal do prêmio, por conquistar 13 dos últimos 15 pontos disputados e ganhar o Brasileirão. No sentido irônico, por ser eliminado pelo Tolima e completar 11 anos sem vencer mata-mata de Libertadores.

Prêmio Portuguesa (cavalo paraguaio)
Botafogo, que foi líder virtual do Brasileirão algumas vezes, meteu 4 no Vasco, venceu o Corinthians no Pacaembu, e terminou o ano perdendo até para sua sombra.

Prêmio Flamengo de 1995 (esquadrão imbatível)
Flamengo, com Ronaldinho, Thiago Neves, Alex Silva, Botinelli e… Deivid como referência no ataque.

Prêmio Botafogo (decepção da temporada)
São Paulo, que vinha com sua geração fantástica da categoria de base e caiu no Paulista para o Santos, na Copa do Brasil para o Avaí e no Brasileiro para tudo quanto é time.

Prêmio Estudiantes (time pequeno que não amarela)
Bahia de Feira, campeão baiano em cima do Vitória.

Prêmio São Caetano (time pequeno que amarela)
Bragantino, que teria a vaga na Série A nas mãos se vencesse o ASA em casa na penúltima rodada da Segundona. Perdeu.

Prêmio Atlético Mineiro (time grande que falha na hora H)
Atlético Mineiro, que tinha a oportunidade histórica de rebaixar o rival Cruzeiro e acabou perdendo por 6 x 1.

Prêmio Flamengo (centenário sem-ter-nada)
Guarani, que correu risco de ser rebaixado para a Série C nacional. Tudo bem, o Bugre conseguiu a promoção no Paulistão, mas sair da Série A2 é obrigação. E os campineiros ainda perderam o título para o XV de Piracicaba.

Prêmio Bragantino (ascensão, apogeu e queda mais rápida)
Figueirense, antepenúltimo time a sair da briga pelo título brasileiro, mas fez apenas um ponto nos últimos três jogos (todos em Florianópolis) e não foi nem para a Libertadores.

Prêmio Fluminense (grande rebaixado)
Paraná, que conseguiu cair para a segunda divisão paranaense.

Prêmio Santos de 1958 (ataque mais arrasador)
Palmeiras, que usou Luan, Ricardo Bueno e Fernandão na tentativa de tirar o título brasileiro do Corinthians.

GRANDES FEITOS

Prêmio Fluminense (conquistar o acesso na Série B)
Portuguesa, com uma campanha na Segundona superior à de Vasco, Grêmio e Atlético Mineiro.

Prêmio Palmeiras (fazer papelão em casa)
Flamengo, que caiu na Copa do Brasil por perder do Ceará no Engenhão, que perdeu a invencibilidade no Brasileirão tomando de 4 x 1 do Atlético Goianiense no Engenhão e que saiu da Sul-Americana por ser humilhado por 4 x 0 da Universidad de Chile (e podia ter sido 6 ou 7)… no Engenhão.

Prêmio Palmeiras 3 x 4 Vasco (saber segurar o placar)
Santos, que fez 3 x 0 no Flamengo e tomou o empate ainda no primeiro tempo. Depois, fez 4 x 3 e tomou a virada. Tudo isso jogando em casa.

Prêmio Juventus (ganhar dos grandes e perder dos pequenos)
América-MG, que ganhou dos três primeiros colocados do Brasileirão (do Flu, ganhou duas vezes) e foi rebaixado.

Prêmio tesourinha da Turma da Mônica (“eu tenho, você não tem”)
Santos, mostrando o troféu da Libertadores para o Corinthians.

Prêmio Estádio do Corinthians (novela mais longa)
Kleber, que pediu aumento, se contundiu, fez exame médico independente, disse ter proposta do Flamengo, xingou Roberto Frizzo, xingou Felipão, criticou um monte de gente pelo Twitter e, finalmente, saiu do Palmeiras.

Prêmio Marcelo Rubens Paiva (Feliz Ano Velho)
Avaí, que vinha do bicampeonato catarinense em 2010 e acabou rebaixado como lanterna do Brasileirão.

Prêmio Rato das Laranjeiras (crise que cheira mal)
Flamengo, que conseguiu ter uma crise entre elenco e comissão técnica por causa de um peido.

Prêmio Brasil 1 x 2 Uruguai (“o que diabo aconteceu?”)
Quarta-Feira Negra da Libertadores, quando quatro times brasileiros foram eliminados em um intervalo de três horas.

Prêmio Flamengo x Botafogo (cultivar a freguesia)
São Paulo, que até quebrou o tabu de quatro anos sem vencer o Corinthians (e com gol 100 de Rogério Ceni), mas talvez tenha começado outro ao tomar de 5 x 0.

PERSONALIDADES E INSTITUIÇÕES DO ANO

Prêmio Garrincha (encerrar a carreira no auge)
Ronaldo, que se despediu em jogos oficiais perdendo para o Tolima e em jogo despedida perdendo duas oportunidades na cara do gol contra a Romênia.

Prêmio Rivaldo (“Eu fiz tudo certinho, porque ninguém se lembra?”)
Joinville, campeão da Série C com 77,1% de aproveitamento, mas bem menos falado até que o Tupi campeão da Série D.

Prêmio Mustafá Contursi (decisão gerencial mais inteligente)
Internacional, ao demitir o técnico Falcão depois de apenas 19 jogos..

Prêmio Felipão (técnico que cresce nas decisões)
Caio Júnior, comandando a arrancada do Botafogo rumo ao título brasileiro.

Prêmio Cuca (vice-campeão)
Vitória, que perdeu a final do Campeonato Baiano para o Bahia de Feira e, depois, ficou a uma posição de subir para a Série A porque perdeu em casa para o São Caetano, sofrendo a virada com dois gols nos últimos cinco minutos.

Prêmio Zagallo (“vocês vão ter de me engolir”)
Muricy, finalmente campeão da Libertadoers.

Prêmio Corinthians (“eu não tenho passaporte”)
Corinthians, sempre favorito nesse quesito.

Prêmio Zico (pênalti perdido em momento inoportuno)
Elano, André Santos, Fred e Thiago Silva, na humilhante derrota do Brasil para o Paraguai nos pênaltis da Copa América.

Prêmio Arílson (amor à amarelinha)
Mário Fernandes, que não foi à Seleção porque não estava com vontade.

Prêmio Celso Roth (técnico querido pela torcida)
Paulo César Carpegiani, que fez o São Paulo ter a melhor campanha da fase de classificação do Paulistão e ficar entre os primeiros do Brasileiro, mas era vaiado todo jogo no Morumbi.

Prêmio Candinho (técnico que só dá certo em um clube)
Andrade, que perdeu a promoção para a Série B com o Paysandu no último jogo.

Prêmio Galvão Bueno (“eu já sabia”)
Cruzeiro, que meteu 8 x 1 no América (TO) no jogo de ida da semifinal do Mineiro em Teófilo Otoni e ainda teve de fazer a partida de volta em Sete Lagoas.

Prêmio Lula (“eu não sabia de nada”)
Arnaldo Tirone, que não fazia nada de produtivo enquanto o pau comia no Palmeiras.

Prêmio Roberto Justus (“você está demitido”)
Adílson Batista, demitido de Santos, Atlético Paranaense e São Paulo.

Prêmio Eurico Miranda (apego ao cargo)
Mário Celso Petraglia, que voltou ao comando do Atlético Paranaense.

Prêmio Dimba (fazer um monte de gols para nada)
Wallyson, artilheiro da Libertadores com média de um gol por jogo, mas eliminado nas oitavas de final ao perder em casa para o Once Caldas.

Prêmio Oliverrá (brasileiro que explode no exterior)
Luiz Gustavo, que estourou no Hoffenheim, foi contratado pelo Bayern de Munique e já recebeu uma chance na Seleção.

Prêmio Alex Ferguson (técnico que se eterniza no clube)
Enderson Moreira, que conseguiu a façanha de ser contratado para ser interino do Fluminense.

Prêmio “Maradona no Palmeiras” (contratação mais provável)
Tevez no Corinthians. Chance de bicampeonato para 2012.

PROMOÇÃO DO ESPORTE E DO FAIR PLAY

Prêmio Bebeto (chororô)
Flamengo, que ficou o ano todo contando pênaltis que os outros times tinham a favor no Brasileirão.

Prêmio Edmundo (comportamento exemplar)
Somália, que disse que havia sido sequestrado para justificar o atraso no treino do Botafogo, só não contava com a gravação das câmeras de segurança do condomínio em que mora mostrando que havia ido à balada no dia anterior.

Prêmio Oséas (fogo amigo)
Andres Sanchez, destruindo o Clube dos 13.

Prêmio Cláudio Coutinho (título moral)
Coritiba, que meteu 6 no Palmeiras e ganhou 453.246.872 jogos seguidos no primeiro semestre, mas perdeu a Copa do Brasil por gols fora de casa para o Vasco.

Prêmio Pierre de Fredy (“o que vale é a disputa”)
São Paulo, Palmeiras e Santos, tirando pontos do Vasco na reta final do Brasileirão e ajudando o Corinthians a ser campeão brasileiro.

Prêmio Casal das Casas Bahia (dupla mais incômoda)
Juvenal Juvêncio e Andrés Sanchez, trocando farpas de forma cada vez mais infantil.

Prêmio STJD (estragar um Brasileirão)
Ricardo Teixeira e a brilhante ideia de fazer jogos aos sábados às 21h.

Prêmio Rider (“Dê Férias para Seus Pés”)
Fábio Costa, que ficou o ano inteiro apenas treinando, cumprindo contrato com o Atlético Mineiro, que não o tem nos planos.

Prêmio Vicente Matheus (frase certa na hora certa)
Ricardo Teixeira, falando sobre detalhes funcionais de seu intestino para a reportagem da revista Piauí. E ele ainda achou que se deu bem!

Prêmio Márcio Rezende (acerto em decisões arbitrais)
Paulo César de Oliveira, que não deu pênalti, nem cartão vermelho, ao colorado Bolívar por arrebentar a perna de Dodô, do Bahia.

Prêmio Duda Mendonça (guru do marketing)
Departamento de marketing do Grêmio, que gastou dinheiro com caixas de som e convocou a torcida para anunciar a bombástica contratação de Ronaldinho Gaúcho.

Prêmio Joselito (ausência de noção)
Cortês, fazendo a festa de casamento no Habib’s.

Prêmio Ted Lapidus (camisa mais bizarra)
Felipe, goleiro do Avaí, e suas camisas com estampas de pontos turísticos de Santa Catarina.

Prêmio Argentina 6 x 0 Peru (placar mais honesto)
Fortaleza 4 x 0 CRB, em jogo que salvou o time cearense do rebaixamento para a Série D no saldo de gols.

Prêmio Timemania (uso político do futebol)
Todos os governantes que estão gastando dinheiro público em estádios da Copa do Mundo.

Prêmio Couto Pereira (estádio bem receptivo)
Estádio da Cidadania, sempre um caldeirão nos jogos do Duque de Caxias na Segundona nacional.

Prêmio “Mata-mata tem emoção”
Campeonato Brasileiro, que teve sete times com chances matemáticas de título a quatro rodadas do final.

Prêmio “Pontos corridos é que são emocionantes”
Gauchão, com o Internacional conquistando o título nos pênaltis sobre o Grêmio no Olímpico.

Prêmio Luis Zveiter (decisão judicial mais inteligente)
STJD, ao ficar no vaivém na questão Luverdense x Rio Branco-AC e atrasando o final da Série C.

Prêmio Belfort Duarte (serenidade)
Jogadores de Treze e Botafogo-PB, que não terminaram o jogo de volta da final do segundo turno do Campeonato Paraibano antes da hora por briga generalizada (somada a alegada contusão de jogador trezeano). Resultado só foi confirmado na Justiça.

Prêmio CBF/Clube dos 13 (regulamento mais inteligente)
Copa Paulista, que tem vaga para os 13 primeiros da Série A1, os 12 primeiros da A2 e os 11 primeiros da A3. Ou seja, o 11º da terceira divisão tem vaga, mas o 14º da primeira, não. Brilhante.

PARABÉNS A TODOS!

Ubiratan Leal

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O mundo não é uma bola, Um jogo

Viraram a chavinha

Posted on 11 December 2011

Fale para um jogador de futebol que ele precisa jogar sempre ao máximo, dar 100% em campo em 100% dos jogos. Ele rirá da sua cara. E com razão. Ainda que nossa paixão pelo esporte queira ver o mundo de forma romântica e idealizada, é óbvio que não se pode exigir que os atletas estejam sempre em seu melhor. Primeiro, porque a temporada é longa e é preciso dosar as energias. Segundo, porque não é todo dia que se está no auge físico, técnico e psicológico.

Por isso, os grandes times sempre precisam modular seu nível de jogo de acordo com a necessidade. Sobretudo na Europa, onde o desnível técnico entre seus adversários é muito grande (na mesma semana, o Barcelona pegou Bate Borisov e Real Madrid, uma diferença técnica muito maior do que pegar, por exemplo, Avaí e Santos, lanterna do Brasileirão e campeão da Libertadores) e os times têm elencos números para se dar ao luxo de ajustar seu desempenho jogo a jogo.

Isso impressiona no Barcelona. O time mostrou alguma fragilidade nesse início de temporada. Fora de casa, fazia uma campanha nada excepcional: duas vitórias (Sporting de Gijón e Granada), três empates (Real Sociedad, Valencia e Athletic Bilbao) e uma derrota (Getafe). Aliás, um retrospecto apenas decente e formado por apenas dois duelos contra adversários do topo de cima da tabela.

E daí? O que parecia fragilidade eram apenas ajustes na modulação no nível de jogo do time. Ou, em português menos empolado, era só “virar a chavinha” na cabeça dos jogadores. E foi isso que o Barcelona fez contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu: virou a chavinha, elevou seu nível de jogo e venceu com a autoridade de quem é o melhor time do mundo já faz um tempo.

Foi um Barcelona com outro volume de jogo, com outra intensidade na marcação, com outra fluidez nas movimentações, com outra rapidez de leitura tática. Uma equipe quase imparável. O Real Madrid não estava preparado para isso, talvez porque jogue normalmente perto de seu 100% e não tem mais margem de melhoria para esses momentos-chave da temporada. O Barça até gera dúvidas quando fica entre 40 e 60%, mas cresce muito quando tenta dar o máximo. Por isso transformou seu maior rival em freguês.

FICHA TÉCNICA
REAL MADRID 1 x 3 BARCELONA
Campeonato Espanhol 2011-12
Data:
11 de dezembro de 2011
Local: estádio Santiago Bernabéu (Madri)
Público: 83.500 pagantes
Árbitro: David Fernández Borbalán
Real Madrid: Casillas; Coentrão, Pepe, Sergio Ramos e Marcelo; Lassana Diarra (Khedira) e Xabi Alonso; Di María (Higuaín), Özil (Kaká) e Cristiano Ronaldo; Benzema. T: José Mourinho
Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Puyol, Piqué e Abidal; Busquets, Xavi e Iniesta (Pedro); Alexis Sánchez (Villa), Messi e Fàbregas (Keita). T: Pep Guardiola
Gols: Benzema (1/1T), Alexis Sánchez (29/1T), Marcelo (contra, 7/2T) e Fàbregas (20/2T)
Cartões amarelos: Pepe, Sergio Ramos, Lassana Diarra, Xabi Alonso, Messi, Fàbregas e Piqué

Ubiratan Leal

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Blog, Um jogo

Kashiwa 2×0 Auckland

Posted on 08 December 2011

Não foi bonito, não foi brilhante, mas o Kashiwa Reysol fez o básico para passar pelo Auckland City na abertura do Mundial de Clubes. Em uma mistura de falta de foco pelo desgaste da reta final da J-League com alguma preguiça de se esforçar para passar por um adversário bastante inferior, o time japonês fez uma partida sonolenta, bem abaixo do que ele próprio vinha apresentando nas últimas partidas.

No primeiro tempo, houve dois momentos de jogo mais intenso. Quando isso ocorreu, ficou evidente como o Kashiwa tem mais recursos técnicos, articulação de jogadas e habilidade. Não surpreende que tenha feito seus dois gols com alguma facilidade.

O problema é que em todo o resto do jogo, a falta de iniciativa dos aurinegros foi evidente. Leandro Domingues, jogador mais importante do time, exagerou nas tentativas de jogadas de efeito. Os demais jogadores importantes, como Jorge Wagner e Tanaka não apresentaram a movimentação natural. Com um futebol lento e sem imaginação, se nivelaram ao limitado time neozelandês. E, aí, o físico do Auckland fazia a diferença e quase levou a um gol no meio do segundo tempo.

O Kashiwa tem potencial para fazer um bom jogo com o Monterrey e até eliminar os mexicanos. Mas precisa elevar seu nível de jogo. Se repetir o futebol desta quinta, não terá chance.

FICHA TÉCNICA
KASHIWA REYSOL 2 x 0 AUCKLAND CITY
Fase preliminar do Mundial de Clubes 2011
Data:
8 de dezembro de 2011
Local: estádio Toyota (Toyota-JAP)
Árbitro: Nicola Rizzoli (Itália)
Kashiwa Reysol: Sugeno; Sakai (Mizuno), Kondo, Masushima e Hashimoto; Otani, Barada (Kurisawa), Leandro Domingues e Jorge Wagner; Junya Tanaka (Kitajima) e Kudo. Técnico: Nelsinho Baptista
Auckland City: Spoonley; Hogg, Berlanga, Pritchett e Vicelich; Mulligan, Feneridis (Corrales), Guerao e Riera (Koprivcic); Exposito e Dickinson (Tade). Técnico: Ramon Tribulietx
Gols: Junya Tanaka (37/1T) e Kudo (40/1T)
Cartão amarelo: Kondo

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Variedades

Lester

Posted on 07 December 2011

A maioria das pessoas que transformaram um Alê Rocha em personalidade da internet o conheceu por meio de seu blog, o genial Poltrona, por sua coluna no Yahoo ou pelo Twitter. Alguns, aliás, nem o conheceram, e mesmo assim o admiraram pelo trabalho como crítico de TV e por sua luta pessoal contra a hipertensão pulmonar. Eu o conheci bem antes, quando ver TV não era uma das poucas coisas que sua saúde permitia, quando ele nem tinha internet em casa, quanto mais ter um blog, e quando o Yahoo era apenas o site de busca que usava ferramenta de um tal de Google para concorrer com o Altavista.

Óbvio que não lembro o exato dia em que fiquei amigo do Alê. Mas sei que foi em algum momento no primeiro semestre de 1996, quando estávamos na mesma classe no curso de jornalismo da PUC-SP. Ele era um sujeito legal, fala mansa, humor mais irônico e sarcástico do que escrachado, não se apegava tanto às panelinhas que já se formavam na classe e era vascaíno. E isso merece ser salientado, porque era estranho encontrar um vascaíno paulista (aprendeu a ser cruzmaltino com o pai, nascido em Juiz de Fora), ainda mais um que era contra Eurico Miranda mesmo em um período de bonança do clube.

Fomos perdendo contato aos poucos. Ele arrumou estágio no Lance e eu, no Diário do Grande ABC. E, como todo estudante de jornalismo que se preze, a faculdade vai para o fundo da lista de prioridades quando se arruma um emprego. Aí rolou formatura, cada um foi cuidar de sua vida até que as redes sociais (no caso, o Orkut) surgiram.

Muita coisa aconteceu desde então com todo mundo daquela turma. Se ela fosse mais unida e resolvesse fazer um encontro, todos teriam história para contar. Tem casal da faculdade que continua casado (como eu e a patroa!). Tem gente que morou ou mora em lugares dos mais diversos, como San Francisco, Tóquio, Lausanne, Buenos Aires e Nova Zelândia. Tem gente que ganhou prêmio. Tem gente que desencanou do jornalismo e foi trabalhar em outra área. Tem gente que ficou famosa. Tem gente que ficou respeitada entre os jornalistas. Como era de se esperar, não tem muita gente que ficou rica. Mas duvido que qualquer uma dessas pessoas tivesse mais coisa para falar nessa reunião que o Alê.

Aliás, “Alê” nada! Alê é bom para usar no Twitter porque são apenas três toques. Ele sempre foi o Alexandre ou, entre os amigos da PUC, o Lester. Por que, convenhamos, não precisa ter muita imaginação para perceber como ele era, desde a faculdade, a cara do ratão de laboratório do Mundo de Beakman.

O Alexandre poderia aparecer nesse encontro fazendo cara de coitado e querendo a atenção de todos pela doença que, segundo os médicos, o levaria em poucos anos. Poderia contar toda a dificuldade que era perder peso sem poder praticar atividade física e explicar como o corpo poderia botá-lo a nocaute (desmaio) se ficasse cansado demais. Ele poderia ainda vender a ideia de que seria o grande gênio do jornalismo universal caso pudesse trabalhar normalmente. Aquela coisa infantil de quem quer reencontrar antigos colegas querendo aparecer mais que todos.

Ele nunca faria nada disso. Seria mostrar submissão à hipertensão pulmonar. E o Lester nunca sentiu que sua vida era menor que a doença. Nunca sentiu que seu bom humor natural merecia sumir por causa do medo do que seria seu futuro. Nunca quis ser mártir de nada, nem de ninguém. Queria viver. E viveu: teve filho, escreveu livro, ganhou reconhecimento dos colegas de profissão. Em pouquíssimo tempo, ele viveu uma vida inteira, ainda que merecesse viver tantas outras.

Nos últimos meses, falávamos mais sobre futebol. Como eu não tenho o pique para ver tanta série de TV como ele, restou conversar sobre o Vasco. Eram mensagens sobre a campanha espetacular do time em 2011, sobre Felipe, Juninho Pernambucano, sobre o Eurico estar longe de tudo isso. Ele achava o time tecnicamente limitado, como todos no Brasil neste ano, mas reconhecia a dignidade do elenco.

Certa vez, há um mês, ele mostrava desânimo após seu corpo o submeter a uma mais uma seção de dores. Falava em desistir. Retruquei: “seu filho é pequeno e, crescendo em SP, pode perfeitamente virar corintiano. Não vale a pena lutar para continuar com ele, ensiná-lo a ser vascaíno e contar um dia a história do time espetacular de 2011?”. Ele não teve como discordar.

Nesta semana, os 23 meses de espera por um pulmão tiveram fim. Ele conseguiu o transplante, mas não resistiu a uma infecção e faleceu nesta terça. Ao menos, o destino permitiu que, por alguns dias, ele ficasse consciente. Pôde falar com a família e ver como sua luta havia inspirado milhares de pessoas. Menos mal. Ele ensinou a todos nós, seus ex-colegas de faculdade, muito mais que todos os nossos professores poderiam ter ensinado.

Valeu, Lester!

Ubiratan Leal

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